Além do Controle: O que James Hillman pode nos Ensinar sobre o Uso Inteligente do Poder nos Negócios
- marciadaring

- 26 de mai.
- 4 min de leitura

Quando você ouve a palavra "poder", qual imagem vem à mente?
Para a maioria das pessoas, poder é sinônimo de controle, dominação, hierarquia. É a cadeira mais alta na sala de reuniões. É a última palavra. É o "manda quem pode, obedece quem tem juízo".
James Hillman, um dos psicólogos mais provocativos do século XX, discordou profundamente dessa visão. Em seu livro "Kinds of Power: A Guide to Its Intelligent Uses" (Tipos de Poder: Um Guia para o Uso Inteligente do Poder nos Negócios), publicado em 1995, ele fez algo que poucos ousaram: desmontou a ideia monolítica de poder e revelou que existem mais de duas dezenas de expressões diferentes do poder — cada uma com sua beleza, sua sombra e seu lugar.
Hillman argumenta que o poder só se torna perigoso quando é ignorado, suprimido ou tratado de forma simplista. O problema não é o poder — é a pobreza do nosso repertório sobre ele.
O Mapa do Poder Segundo Hillman
O autor junguiano nos convida a enxergar o poder como um espectro, não como um ponto.
Poderes da Afirmação:
● Controle — a capacidade de dirigir e regular. Útil, mas limitado quando usado sozinho.
● Autoridade — diferente do controle, a autoridade é legitimada por quem a reconhece. Líderes com autoridade não precisam forçar.
● Influência — a arte sutil de mover pessoas sem que elas percebam que estão sendo movidas.
● Carisma — uma qualidade magnética que gera adesão voluntária.
Poderes da Percepção:
● Prestígio — a moeda invisível da credibilidade.
● Reputação — o eco das suas ações. O que fica quando você sai da sala.
● Poder da Linguagem — Hillman sabia que palavras não descrevem a realidade: elas a criam.
Poderes da Resistência:
● Paciência — esperar no tempo certo não é passividade, é uma forma sutil e poderosa de poder.
● Poder da Fraqueza — a vulnerabilidade estratégica, que desarma e conecta.
● Resistência — a força de saber dizer não, de estabelecer limites.
Poderes da Ação:
● Eficiência — fazer mais com menos, mas Hillman alerta: eficiência sem propósito vira burocracia vazia.
● Ambição — o desejo de realizar. Saudável quando conectada a um propósito; tirânica quando descolada dos valores.
O Alerta de Hillman: A Tirania do Repertório Único
O maior perigo, segundo Hillman, não é o poder em si — é quando um líder usa apenas um tipo de poder para tudo.
O líder que só sabe controlar sufoca a criatividade. O que só aposta no carisma constrói seguidores, não lideranças. O que só usa a eficiência vira um gestor frio. A liderança inteligente exige diversidade de repertório.
Como ele escreve:
"Empoderamento vem de compreender o mais amplo espectro de possibilidades para usar o poder. Se comida significa apenas carne e batatas, seu corpo sofre por ignorância. Quando poder significa apenas controle e dominação, sua liderança padece da mesma pobreza."
Poder em 2025: O que mudou?
Trinta anos depois, o mapa de Hillman se torna ainda mais relevante. Novas camadas de poder emergiram:
● Poder Algorítmico — quem controla os dados e os algoritmos exerce um poder invisível sobre comportamentos, decisões e até emoções.
● Poder da Atenção — num mundo de estímulos infinitos, conseguir que alguém pare e realmente preste atenção é uma das formas mais valiosas de poder.
● Poder da Curadoria — o que você escolhe ver, consumir e compartilhar define sua visão de mundo.
● Poder da Autenticidade — em um cenário onde a IA pode gerar discursos, textos e imagens perfeitos, o humano imperfeito e genuíno ganha um poder que nenhum algoritmo pode replicar.
● Poder da Desconexão — saber desligar, silenciar e preservar sua atenção tornou-se um ato de soberania pessoal.
A Bússola do Uso Inteligente do Poder
Como usar o poder com inteligência? Hillman nos oferece pistas que valem como guia prático:
1. Variedade — Quantos tipos de poder você utiliza no seu dia a dia? Se sua resposta for "um ou dois", seu repertório precisa se expandir.
2. Consciência — Você sabe qual tipo de poder está exercendo agora? O líder consciente nomeia seu poder antes de usá-lo.
3. Proporção — O poder está a serviço de quem? Liderança é poder colocado a serviço do crescimento alheio.
4. Reflexão — O poder que você exerce está alinhado com seus valores? Poder sem ética vira abuso.
5. Limite — Você sabe onde seu poder termina? O líder inteligente conhece o perímetro da própria influência.
Conclusão
James Hillman nos deixou um presente em 1995: a permissão para pensar o poder com mais nuances, mais coragem e mais alma. Em 2025, num mundo de transformações aceleradas, lideranças líquidas e inteligência artificial generalizada, a pergunta que ele nos faz ecoa mais urgente do que nunca:
"Você vai usar o poder com inteligência ou por instinto?"
Que possamos escolher a inteligência — e, com ela, construir negócios, lideranças e vidas que honrem a complexidade do poder que todos carregamos.
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Márcia Dario é Mestre em Comunicação,Cinesiologista e Psicopedagoga É Mentora realizando sessões para desativação de stress emocional, problemas em aprendizagem, medo de falar em público, ansiedade e timidez.É gamificadora realizando cursos e treinamentos empresariais, Palestras e Workshops. Promove através do seu trabalho melhora de desempenho em autocomunicação, autoconhecimento e autodesenvolvimento. Explore mais sobre mim e meu temas de trabalho em meu Blog e me contate também por email: marciadaring@gmail.com. Muito obrigada!




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